Caros e caras, este blog muda de endereço, agora é:
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Thursday, January 29, 2009
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Monday, January 19, 2009
A DERRADEIRA
Posto que mês nenhum será lembrado,
e os ossos durarão bem mais, talvez,
que a tua débil voz de condenado,
e que o falso consolo da canção fez
menos penosa a tua travessia –
do berço à cova, ziguezagueante
como tudo que nasce à revelia,
mas luminosa como a dor errante
riscando nesta noite a trajetória
que guiará alguns menos desatentos
ao erguerem os olhos pro astro em glória
solitária; entretanto, no relento,
seremos envolvidos novamente
pela treva, porém com a lembrança
da luminosidade transcendente;
posto ser tão espesso e sem fiança
o véu da vida e o último lampejo,
da linguagem fizeste a tua casa,
teu endereço certo e sem despejo,
assim rodopiaste sem defasa
por este esquivo mundo e os seus lugares,
baixando aos subterrâneos da memória
ou subindo a vertigens estelares
da alma ligada à carne provisória.
Tudo isto posto agora, e findo o impasse,
é preciso perguntar sem demora
e mesmo sem retorno, sobre a face
final que viste em tua última hora,
tu, que cantaste a luz vertiginosa,
que vive do que perde; o que foi
fazer do próprio corpo a dolorosa
lenha e emudecer um tempo depois?
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hipergheto
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Tuesday, January 13, 2009
Monday, January 12, 2009
[Depois de cantar um canto irresistível]
Depois de cantar um canto irresistível
aos nautas que há muito não trafegavam
por aqueles mares distantes;
depois do canto ecoar nos rochedos
de sua ilhota e nos ouvidos das gaivotas
que, impassíveis, se estendiam ao sol,
o último daqueles animais sem destino
atravessou o Mediterrâneo, o Atlântico
e a Baía de Todos os Santos, para emergir
seu corpo perfeito no Porto da Barra,
sob os olhares luminosos dos turistas,
à procura de Odisseu.
Elói Alexandre Dias Martins
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Thursday, January 01, 2009
Recebi de Alexandre o seguinte comentário:
Esse soneto do Bruno Tolentino está mutilado. Não estou com o livro em mãos para verificar o erro, mas ele está no nono verso. Se eu não me engano, o correto é "sem que faça/diferença nenhuma o que tentas dizer./Lugar-comum do que escolheres, teu comparsa[...]", e o resto está correto.
É um dos meus sonetos favoritos do livro.
Agradeço, Alexandre, fiz confusão ao publicar o soneto I. 193, d'A imitação do amanhecer. Copiei o soneto não do livro impresso, mas de uma cópia digitada que um amigo me passou e eu acabei cortando o verso. Não enviei uma mensagem porque você não deixou o seu endereço. Um grande abraço e vida longa. Abaixo republico o soneto.
I. 193
Que mais dizer? Que a vida toda é uma fumaça
a que se abraça a forma efêmera do ser?
Que nos dourados esbatidos do prazer
(a cor do amor nas aquarelas do que passa)
a tela breve do que é tem certa graça,
certa razão? Que é tudo um belo amanhecer
e de repente é noite e te falta escolher
a última frase de um quarteto, sem que faça
diferença nenhuma o que tentas dizer?
Lugar-comum do que escolheres, teu comparsa
entre os instantes e os vocábulos, o ser
é o que puseres na aquarela, aquela garça,
Alexandria e seus veleiros contra a esparsa,
a doce tela, ah, mas não trates de entender.
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Tuesday, December 30, 2008
DAS ELEGIAS: DIDÁTICA
O áspero poema? Não mais quero.
O inviável abismo? Já descri.
Foi com inabalável esmero
que duramente me persegui.
Se tudo é insuficiente, espero.
O instante vence o tédio, senti.
Se a valsa mudou-se em bolero
o ritmo pouco importa, vivi.
Pelo tropeço suavizei o passo.
Seu corpo é o sentido que devasso
devagar, como quem respira.
Gota que se equilibra suspensa –
a vida. Mínima que é imensa,
quando pensa que é real, delira.
***
E antes que eu me esqueça: Boas Entradas a todos!
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