Saturday, October 18, 2008

NA MANHÃ DA QUEDA


Na manhã da queda, Deus meu,
o pior foi nosso apego
desmedido e desejado
pela canção da véspera,
solfejada por aquele
anjo com sua aparência
profunda sob a desgraçada
nudez. A incontornável
solidão – que nos tomou nos
desertos e florestas em que
vagueamos depois – foi a
nossa nova morada,
feita da seiva real e
deste lume aflito para
cumprirmos o caminho sem
mapa, nosso acúmulo de
rumos no leito final. Na
nova morada, impossível
foi desprezar o azeite e o mel,
já que não tínhamos mais ao
alcance da vontade o céu
e a intangibilidade de
seus frutos. Assim, o melhor
de nós cegou-se diante da
grandeza de tudo. Sendo
o que somos, tentamos
habitar esta terrível
maravilha: amar sem saber
o muito que perdemos.

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