ESTAMPA
01
Sempre falta alguma coisa
feito saída de viagem,
porém nada foi esquecido,
definitivamente certo:
sempre falta alguma coisa –
no vôo errático da ave
em busca, no acúmulo de
atos, na escolha do vário,
no acatamento do imenso,
na recusa da identidade,
ou disso o contrário, mesmo
que não veja, falta alguma
coisa, que se concretiza em
trajeto ou imobilidade.
E essa falta integrante do
ser que ao Ser aspira ergue com
sua falha uma divisa
onde se apóia, um momento,
e é toda a sua cantiga.
02
Sei que esperamos, sei.
O sonho que se desata?
Na sala o terror súbito?
O até aonde nos for dado?
A Volta em julgamento?
Quem apressa a data sai
de dentro da esfera; quem
cada momento amarga,
ainda espera: a possibilidade
aberta que deságua em
Atlânticos de sentido,
no sempre espanto ou no
todo apagamento.
A espera e as suas leis,
a sua disciplina
austera e demorada, aqui nesta
brevidade que nos é
dolorosamente doada.
Tuesday, June 24, 2008
Postado por
hipergheto
às
5:37 PM
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3 comentários:
Muito bom João, um grande abraço.
Texto de elaborada artesania, em que a contundência da vida se revela por inteira. Abraço.
excelente...
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